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Quinta-feira, 26 de fevereiro de 2004 15h41
Sexo oral aumenta risco de câncer na boca
da Folha Online

Sexo oral pode aumentar o risco de câncer na boca. Esta é a conclusão de pesquisadores norte-americanos e franceses, segundo estudo publicado na revista "NewScientist".

Os cientistas, da Universidade Johns Hopkins (EUA) e da Agência Internacional para Pesquisas sobre o Câncer (França), confirmaram a suspeita de que o HPV (papiloma vírus humano, na sigla em inglês) também pode causar câncer na região da boca.

Entretanto, de acordo com os pesquisadores, o risco é pequeno. Por ano, apenas uma em cada 10 mil pessoas desenvolve o câncer de boca. E, na maioria das vezes, as causas são velhas conhecidas: cigarro e bebida.

Metodologia

A pesquisa comparou 1.670 pacientes que tiveram câncer bucal com 1.732 voluntários saudáveis. O subtipo do vírus chamado HPV16 estava presente em muitos casos.

Entre as pessoas com câncer bucal, a prática do sexo oral foi relatada três vezes mais entre os que portavam o HPV 16 do que entre aqueles que não portavam o vírus. A proporção não é diferente entre homens e mulheres.

De acordo com os pesquisadores, qualquer forma de sexo oral representa risco de contaminação pelo HPV.

O vírus

Há mais de cem subtipos de HPV catalogados, 30 dos quais pertencem ao grupo de alto risco, ou seja, que podem levar a lesões epiteliais perigosas e até evoluir para um câncer.

O vírus pode ser transmitido para ambos os sexos principalmente por relações sexuais. As mulheres, nesse caso, são as principais vítimas --projeções feitas nos Estados Unidos indicam que 50% a 70% delas serão infectadas durante sua vida.

Além de poder permanecer em estado latente por anos, o HPV não necessariamente desenvolve seus sintomas --verrugas ou outras alterações subclínicas-- em todos os casos de infecção. Por isso, muitas pessoas podem ser portadoras do vírus e transmiti-lo, sem saber, para o parceiro.

O HPV é o principal causador do câncer de colo de útero, ou cervical, ao interferir no ciclo celular e provocar uma proliferação desenfreada de células do epitélio.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a doença mata 225 mil mulheres por ano. No Brasil, mais de 17 mil casos de câncer cervical são diagnosticados todos os anos e 4.000 mulheres morrem, segundo dados do Inca (Instituto Nacional de Câncer), atrás apenas do câncer de mama.

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