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Quinta-feira, 02 de junho de 2005 23h38
Estudantes depredam prédios públicos em 4º dia de protesto por tarifas
MARI TORTATO
da Agência Folha, em Florianópolis
THIAGO REIS
da Agência Folha

Parte dos 4.000 estudantes que participaram do quarto dia de manifestação contra o aumento das tarifas de ônibus em Florianópolis promoveu um quebra-quebra nesta quinta-feira, na sede da Cotisa e na Câmara Municipal, onde eles atearam fogo.

Os estudantes protestam contra o aumento de 8,8% no preço da passagem determinado pela Justiça durante o feriado.

O Corpo de Bombeiros precisou ser acionado e o incêndio foi controlado. A fachada de vidro da Cotisa --consórcio das cinco empresas de ônibus-- foi quebrada e móveis e computadores foram destruídos no interior da empresa, que estima o prejuízo em R$ 10 mil. Prédios vizinhos à Câmara também tiveram os vidros quebrados por pedradas, arrancadas da calçada.

Houve confronto mais uma vez com a Polícia Militar à noite. A PM utilizou balas de borracha e bombas de efeito moral para conter os manifestantes. Os líderes admitem que perderam o controle do protesto.

Os manifestantes haviam programado um grande ato desde terça-feira. A Polícia Militar colocou 1.200 homens nas ruas para reforçar a segurança. Nos dois primeiros dias, também houve confronto e três estudantes foram presos. Os líderes estudantis reclamam de repressão brutal. A PM, por sua vez, diz que 16 policiais ficaram feridos.

Nesta quinta-feira, um policial, que fora flagrado por uma câmera de TV agredindo um dos manifestantes, foi afastado da operação. Segundo o subcomandante da PM no Estado, coronel Edson Souza, foi uma ação isolada, que não compromete o bom trabalho que a polícia está desenvolvendo.

Confronto

O confronto teve início por volta de 19h20. Horas antes, um dos estudantes gritava ao megafone: "Sem vandalismo, pessoal". A preocupação dos líderes era anular a imagem negativa que atingiu o movimento na terça, quando houve depredação de carros particulares e populares reclamaram do tratamento hostil.

Além da PM, a Polícia Rodoviária Federal também deslocou nove viaturas para a via expressa da BR-101, com o objetivo de proibir a entrada de ônibus com estudantes de outras localidades na capital. Não houve apreensão.

Em razão do protesto marcado para o final da tarde, a ponte que liga a ilha ao continente apresentou pouco movimento. Os moradores do estreito evitaram o centro temendo congestionamento, segundo motoristas de táxi. Nas lojas do centro, patrões liberaram funcionários para sair mais cedo e evitar o terminal depois das 18h.

Foi o caso do salão de beleza Coticô, a 300 metros do terminal. "Metade do pessoal foi embora antes", disse a recepcionista Deise Majewski, 32. "Eles têm razão em protestar contra a tarifa cara, mas não acho certo impedirem que eu vá embora às 19h30 porque interromperam a rua."

Movimento

"O movimento está correto em um ponto. A passagem está cara, mas a manifestação é levada na brincadeira. Eles passam aqui falando palavrão", disse a vendedora Sheila de Souza, 33. Ela afirmou que o movimento da loja de produtos esportivos caiu muito desde que os protestos começaram. "Muitas pessoas ficam com medo de vir para o centro e ficar presas no congestionamento."

O coordenador administrativo da Central de Polícia de Florianópolis, Silvio Gomes Filho, relacionou ao menos seis crimes que a Polícia Civil pretende enquadrar os líderes, a começar por formação de quadrilha.

A presidente do inquérito sobre os protestos, delegada Sandra Mara Pereira, disse já há nove líderes identificados para responder aos inquéritos. No grupo há um diretor e um professor de escola pública.

Especial
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