| | Quarta-feira, 08 de junho de 2005 22h46 CDs de funk vendidos em Santos citam suposto líder do tráfico de drogas da Agência Folha, em Santos
Ao menos três músicas de um CD de funk intitulado "Proibidão da Luiz Gama", comercializado a R$ 5 por alguns camelôs da cidade de Santos (litoral de São Paulo), citam nominalmente um Naldinho que seria o empresário Ronaldo Duarte Barsotti de Freitas, 33, preso sob acusação de ser um dos líderes do tráfico de drogas na Baixada Santista.
A reportagem procurou o CD em três camelôs. Os dois primeiros disseram conhecê-lo, mas não tinham à disposição. Um terceiro se ofereceu para buscar um exemplar em casa.
O CD, em cuja capa não consta identificação, contém músicas gravadas ao vivo em uma festa que teria sido realizada no bairro do Macuco, em Santos --local conhecido na cidade onde haveria ponto de tráfico de drogas e que seria chefiado por Naldinho.
Uma das faixas do CD começa assim: "Naldinho ficou bolado e fez uma reunião. Eu quero todo mundo armado na Luís Gama, sangue bom...". No meio da música, a frase: "Quando os alemão chega [sic], o Tiago reconhece, Naldinho tá no comando de AK 47 [fuzil de fabricação russa]".
O Luís Gama citado na música refere-se a uma rua do bairro. Na capa do CD, o primeiro nome foi grafado com "z".
Algumas faixas reproduzem trechos de telejornais da Rede Globo, inclusive com as vinhetas de abertura, em que os apresentadores noticiam assuntos relacionados ao tráfico de drogas e também ao traficante Fernandinho Beira-Mar.
No CD, surge a voz da apresentadora: "Um poder paralelo mantém a cidade sob tensão". Ouve-se rajadas de armas. "Quatro presos foram mortos. Ernaldo Pinto de Medeiros, o Uê, Elpídio Sabino, o Robô, e dois cunhados de Uê, Vanderlei Soares, o Orelha, e Carlos Alberto da Costa, o Robertinho do Adeus". Mais rajadas.
As pessoas citadas foram mortas em setembro de 2002, durante rebelião no presídio Bangu 1, no Rio, o que sugere que o CD tenha sido gravado no mesmo ano.
As músicas citam também drogas e facções criminosas como o (CV) Comando Vermelho e o PCC (Primeiro Comando da Capital).
Em uma das faixas, um menino "manda seu recado": "...eu tô na situação. Eu tô bolado, na Luís Gama, o bonde é do Gordão". Naldinho, o Gordo, é um outro apelido atribuído ao empresário Naldinho. O Gordão é citado na maioria das músicas do CD como o "chefe" do bonde. Muitas das músicas do CD contêm palavrões.
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