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Segunda-feira, 31 de março de 2003 17h42
Idec organiza "Boicote pela Paz" a produtos dos EUA
ELAINE COTTA
da Folha Online

O Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) aderiu à campanha mundial contra a guerra no Iraque e está organizando no Brasil um boicote a produtos norte-americanos.

O instituto está convocando os consumidores brasileiros a evitarem produtos de origem norte-americana em represália à intervenção militar dos EUA no Iraque sem o aval da ONU (Organização das Nações Unidas).

No seu site na internet (www.idec.org.br), o Idec publicou um manifesto com dicas de como se fazer o boicote. Segundo Marilena Lazzarini, coordenadora-executiva do Idec, essa "é uma estratégia legítima que deve ser utilizado pelo consumidor em situações extremas".

"Recomendamos que, sempre que possível, os produtos norte-americanos sejam substituídos por similares nacionais ou de países contrários ao ataque", afirma a executiva do Idec.

O engajamento do Brasil na campanha internacional contra a guerra teve início na semana passada. No último sábado, um grupo de manifestantes jogou Coca-Cola no gramado do Congresso Nacional, em Brasília, em protesto contra a guerra.

Na internet também é possível encontrar manifestações pró-boicote. Em sites de busca, podem ser achadas diversas páginas em defesa do boicote de produtos dos EUA que estão no ar há vários meses, quando a guerra ainda era incerta.

O site www.boycottwar.net, do IDEA (Grupo Internacional por Ações Econômicas Diretas contra a Guerra), por exemplo, convoca os internautas a aderir ao movimento e enumera as 20 empresas cujos produtos os consumidores devem evitar.

Os manifestantes sugerem que o boicote não seja apenas contra a fábrica de refrigerantes Coca-Cola ou contra a rede de fast food McDonald's.

Também estão na lista negra a fabricante de computadores Dell, os postos de combustíveis das petrolíferas Chevron-Texaco e Exxon-Mobil (Esso), a farmacêutica Pfizer e a General Motors, entre outros.

Pressão

O boicote é considerado uma das armas mais importantes de pressão pois atinge diretamente a economia. Na década de 50, por exemplo, os negros norte-americanos dos Estados do Sul só podiam sentar nos bancos traseiros dos ônibus.

Um dia uma senhora negra sentou-se num banco da frente e foi agredida expulsa do ônibus. Como protesto contra a agressão, o reverendo Martin Luther King iniciou um movimento de boicote aos ônibus, que obteve total adesão dos negros.

Após 11 meses do início do boicote, durante o qual os negros não andaram de ônibus, os políticos, pressionados pelos proprietários das empresas, votaram uma lei que proibia a discriminação racial nos meios de transporte.

No Brasil, essa atitude ainda é pouco utilizada. Mas já tivemos exemplos bem sucedidos. Em 1979, por exemplo, o movimento das donas-de-casa promoveu um boicote à carne, devido aos altos preços do produto. O movimento conseguiu uma redução de 20% no preço.


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