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Quinta-feira, 03 de abril de 2003 14h17
Suplicy se diz desrespeitado por embaixadora americana no Brasil
FELIPE FREIRE
da Folha Online, em Brasília

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, disse hoje que se sentiu desrespeitado pela embaixadora dos EUA no Brasil, Donna Hrinak.

A embaixadora exigiu que a audiência da comissão, da qual participou hoje, fosse fechada à imprensa, vetou a colocação de um telão para que os jornalistas tivessem acesso ao seu depoimento, não respondeu às perguntas dos parlamentares e deixou a reunião antes do horário previsto.

A audiência começou às 10h. Às 11h40 -antes do final das perguntas- a embaixadora disse aos senadores que precisaria deixar o local para testemunhar a manifestação de servidores públicos contra a guerra em frente à embaixada americana em Brasília. Às 12h30, a embaixadora deixou a reunião, não respondeu às perguntas, mas se comprometeu a sanar as dúvidas dos senadores por escrito.

Em clima de constrangimento, Suplicy disse que seria um desrespeito a saída de Donna Hrinak antes da conclusão da audiência. "Ela perdeu a oportunidade de mostrar mais respeito ao Senado", afirmou. "O fato de ela sair antes não ajuda a defesa do ponto de vista norte-americano."

Tratamentos diferentes

No início do conflito no Iraque, a embaixadora foi pivô de reclamações de deputados brasileiros. Um pequeno grupo de congressistas foi à embaixada em Brasília e tentou ser recebido por Donna Hrinak. Todos eles foram mantidos do lado de fora e não foram ouvidos. Na ocasião, os deputados também se disseram desrespeitados.

Ao contrário da reunião de hoje e do comportamento da embaixadora americana, a audiência com o embaixador iraquiano no Brasil, Jarallah Alobaidy, foi aberta à imprensa e só foi concluída quando todas as perguntas dos congressistas foram respondidas.

O embaixador do Reino Unido, Roger Boné, não seguiu a americana e respondeu às indagações que lhe foram feitas. Conforme relato do senador Hélio Costa (PMDB-MG), Bone disse que Exército britânico deixará o território iraquiano "assim que possível", no momento em que o povo iraquiano for "capaz de promover uma revolução pacífica".

Em outro momento, o embaixador defendeu a criação de uma capital palestina dentro de Jerusalém como forma de solucionar os conflitos no Oriente Médio.

No discurso inicial, Bone afirmou que o envio de tropas ao território iraquiano foi a última tentativa do país de destruir as supostas armas de destruição em massa do Iraque.

"Não há decisão mais difícil para uma nação democrática e pacífica do que enviar suas tropas a um campo de batalha. Uma decisão assim somente é tomada como último recurso, pois conhecemos suas graves implicações morais, jurídicas e geopolíticas", afirmou.

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