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Sexta-feira, 04 de abril de 2003 20h54
General britânico diz que Iraque pode usar civis para recuperar aeroporto
da Folha Online

Para tentar recuperar o Aeroporto Internacional Saddam, parcialmente tomado pelos Estados Unidos, o Iraque pode enviar uma "maré humana" de civis. A afirmação foi feita hoje pelo comandante das forças britânicas no golfo, general Brian Burridge.

O comentário de Burridge foi feito após as declarações do ministro iraquiano da Informação, Mohamed Said al Sahhaf, que ameaçou as forças da coalizão seriam surpreendidas com uma estratégia "não-convencional".

Sahaf não explicou o que seria o ato. Questionado se o Iraque usaria armas de destruição em massa, o ministro declarou que não. "Mas vamos conduzir um tipo de operação de martírio."

Segundo Burridge, um ataque "não-convencional" poderá significar uma ação química ou biológica com sérias consequências para o regime iraquiano ou uma "maré humana".

"Temos informações de que os alto-falantes do sudoeste de Bagdá estão convocando a população a seguir para o aeroporto", declarou o general. Para Burridge, "seria bastante próprio [do regime iraquiano] utilizar civis como escudos humanos" para atacar o aeroporto.

Sobre a suposta tomada do Aeroporto de Bagdá pelas forças norte-americanas, o general Burridge disse que a resistência iraquiana foi menor que a prevista. Os iraquianos "não foram capazes de entender o que estava passando".

"Houve bolsões de resistência e ainda há certa oposição no aeroporto, mas nada como esperávamos. A Guarda Republicana não se mostrou".



O general acredita que a resistência em Bagdá acabará quando o regime iraquiano cair. "Quando o regime afundar, isto afetará a população de Bagdá, as milícias do partido Baath, os paramilitares e os esquadrões da morte."

"Faremos o que for preciso para saber o que ocorre, onde estão os verdadeiros criminosos, e nos ocuparemos deles pouco a pouco, com grande determinação", disse.

"Estou falando de gente que vive há 25 anos fora da lei. Não têm ideologia e sabem que estão lutando por suas cabeças."

Atentado suicida

O ataque contra um posto de controle norte-americano -que aconteceu na noite de ontem em Hadithah, a 200 quilômetros de Bagdá- foi um atentado suicida cometido por duas mulheres, de acordo com a agência de notícias iraquiana Ina. Três soldados dos Estados Unidos morreram no ataque.

O atentado teria sido cometido pelas iraquianas Nusha Mjalli al Chammari e Widad Jamil al Duleimi. "Explodiram o carro que dirigiam contra as posições do inimigo no oeste do país na noite entre 3 a 4 de abril. A operação suicida provocou a destruição de nove veículos blindados", disse a agência de notícias.

A rede de televisão Al Jazeera, do Qatar, mostrou hoje gravações feitas por elas antes do ataque.

"Eu juro por Allah que me sacrificarei pela jihad ['guerra santa'] contra os americanos, britânicos e israelenses infiéis para defender o solo do meu amado país", disse uma delas, segurando um rifle e com outra mão sobre o Alcorão, o livro sagrado do islamismo.

A segunda mulher citou versos do Alcorão, em frente da bandeira do Iraque, e jurou defender o Iraque e se vingar "dos inimigos do povo, os americanos, imperialistas, sionistas, reacionários e derrotistas árabes".

O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) havia apenas confirmado a morte dos três soldados, além de um iraquiano e uma iraquiana.

Atentados suicidas cometidos por mulheres são raros, principalmente nas sociedades muçulmanas que as afastam de questões políticas.

Apesar disso, no ano passado três mulheres-bomba palestinas _Wafra Idrees, 28, Dareen Abu Aisheh, 21, e Ayat Akhras, 18_ mataram três pessoas e deixaram mais de 120 feridos.

Jihad

Na última terça-feira, o presidente do Iraque, Saddam Hussein, exortou os muçulmanos a se unirem à jihad ("guerra santa") contra a invasão liderada pelos EUA. O discurso foi lido na TV pelo ministro da Informação, Mohammed Saeed al Sahaf.

"A agressão [das forças da coalizão] contra a fortaleza da fé é uma agressão contra a religião, a riqueza, a honra e alma e uma agressão contra a terra do islã", disse Al Sahaf.

"Por isso, a jihad é um dever para confrontá-los. Vamos para a jihad. Deus nos fará vitoriosos."

A jihad consiste no esforço que o muçulmano deve desempenhar para difundir e proteger o islamismo. Ficou caracterizado como "guerra santa" na imprensa.

No mesmo dia, o vice-presidente iraquiano, Taha Yassin Ramadan, afirmou que mais de 3.000 "voluntários" árabes estavam prontos para realizar atentados suicidas no Iraque contra forças anglo-americanas, seguindo os passos do oficial iraquiano que matou quatro soldados americanos em um ataque suicida no sul do Iraque no sábado (29).

Os Estados Unidos consideraram a convocação de Saddam como "espantosa e irresponsável".

"Estas exortações à violência e atentados suicidas são tremendamente irresponsáveis", disse o porta-voz do departamento de Estado, Philip Reeker.

"Os ataques suicidas só levam a um único desenlace e isso é a morte de quem os perpetra", disse. "A violência que pedem essas pessoas não vai alcançar nada. Vamos continuar avançando com nossa operação 'Liberdade no Iraque' e devolver o país ao povo iraquiano."

Com agências internacionais

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