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Domingo, 06 de abril de 2003 04h45
No Brasil, 90% são contra a guerra no Iraque
da Folha de S.Paulo

Pesquisa nacional do Datafolha revela que 90% dos brasileiros se opõem à ação militar da coalizão anglo-americana no Iraque. Apenas 7% disseram estar a favor.

Feita entre 31 de março e 1º de abril, a pesquisa ouviu 5.729 pessoas maiores de 16 anos, em 229 municípios de todos os Estados. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos.

A oposição à guerra é majoritária em todos os segmentos da sociedade. Ela está presente em 87% dos homens e 92% das mulheres, em 86% de pessoas no Norte/ Centro-Oeste e em 92% dos que moram no Sul, em 91% dos simpatizantes do PT e 86% dos que preferem votar no PFL.

As oscilações são também pouco significativas quando se comparam segmentos que reagem de forma bem contrastada em pesquisas eleitorais.

Opõem-se à guerra 92% dos que têm de 25 a 34 anos e 86% dos que têm 60 anos ou mais. Quanto ao grau de escolaridade, a diferença (89% a 91%) oscila dentro da margem de erro. O mesmo ocorre com relação à renda familiar.

A coalizão anglo-americana provocou uma quase unanimidade, raríssima na história recente da opinião pública brasileira.

Entre os entrevistados, 86% tomaram conhecimento do ataque ao Iraque. Consideram-se bem informados 26%, e, mais ou menos informados, 46%.

Apoio ao presidente

Indagados sobre o pronunciamento do presidente da República contra a guerra, 86% disseram que ele agiu bem. O resultado é praticamente o mesmo em se tratando de entrevistados de 45 a 59 anos (88%), escolaridade superior (89%) ou renda familiar até cinco salários mínimos (86%).

Não há diferenças significativas no apoio a Lula entre empresários (83%), funcionários públicos (86%), estudantes (89%) ou desempregados (81%).

Quando está em jogo a preferência partidária do entrevistado, a menor aprovação vem dos simpatizantes do PSB (64%), e a maior, previsivelmente, dos simpatizantes do PT (91%).

O Datafolha perguntou se o entrevistado pretendia deixar de comprar produtos ou serviços que tenham como origem países envolvidos na guerra.

A resposta foi sim para 20% e não para 79% dos entrevistados. Entre os que responderam afirmativamente, 79% pretendem boicotar produtos norte-americanos, 18%, produtos iraquianos, e 15%, produtos do Reino Unido.

Coca-Cola (17%), McDonald's (11%) e Nike (4%) foram marcas lembradas pela minoria disposta ao boicote. Seguem-se, com 1%, Pepsi, Reebok e Microsoft.

Produtos de origem britânica foram lembrados de um modo genérico. Quanto aos produtos iraquianos, a memória do consumidor é confusa, mesmo porque, com o embargo comercial em vigor naquele país desde 1991, o Iraque só foi autorizado a exportar o petróleo necessário para importar alimentos e remédios.

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