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Terça-feira, 08 de abril de 2003 11h46
Pentágono culpa regime iraquiano pela morte de jornalistas
da Folha Online

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos disse hoje que a morte de dois jornalistas em consequência dos disparo de um tanque americano contra um hotel em Bagdá é "trágica", mas atribuiu a culpa das mortes ao regime iraquiano por colocar civis em risco.

"A perda de vidas civis é trágica", afirmou Bryan Whitman, porta-voz do Pentágono. "Tomamos todas as medidas para evitar a perda de vidas civis."

"Nós não temos os jornalistas como alvo. Mas, como temos visto diversas vezes, o regime iraquiano põe civis em risco. Bagdá é um lugar perigoso", declarou Whitman.

Dois jornalistas morreram hoje e três ficaram feridos quando um tanque americano disparou contra o hotel Palestine, onde estão hospedados correspondente estrangeiros que acompanham a guerra no Iraque.

O canal de TV privado espanhol Telecinco anunciou hoje que o cinegrafista José Couso, 37, morreu no ataque contra o hotel, após ser atingido na perna direita e na mandíbula.

A agência de notícias Reuters afirmou, em um comunicado divulgado em Londres, que o cinegrafista ucraniano Taras Protsyuk, 35, também morreu na explosão.

De acordo com o comunicado, um repórter, um fotógrafo e um técnico de televisão da Reuters ficaram feridos e foram levados ao hospital. Ainda não está claro que tipo de ferimentos eles tiveram.

O general Buford Blount, comandante da Terceira Divisão de Infantaria dos EUA, disse hoje que um tanque americano disparou contra o hotel Palestine. "Um tanque estava sendo atingido por fogo de pequenas armas e RPG [granada lançada por foguetes] do hotel e revidou contra o alvo com um disparo de tanque", afirmou.

A rede de TV Al Jazeera, do Qatar, anunciou hoje a morte de um de seus correspondentes em Bagdá. O cinegrafista Tarek Ayub tinha ficado gravemente ferido após a queda de um míssil sobre o escritório da rede de TV na capital iraquiana.

O escritório do canal fica em um prédio perto do hotel Mansour, não muito distante do Ministério da Informação, no centro da cidade.

Além dos três cinegrafistas mortos hoje, ao menos outros oito jornalistas morreram durante a cobertura da guerra no Iraque, que começou no dia 19 de março, às 23h35 (horário de Brasília).

Ontem, os jornalistas Julio A. Parrado, do jornal espanhol "El Mundo", e Christian Liebig, da revista alemã "Focus", morreram em um ataque de tropas iraquianas a um centro de comunicações dos Estados Unidos na periferia sul de Bagdá.

Com agências internacionais

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