| | Quarta-feira, 09 de abril de 2003 11h06 Mães de militares dos EUA protestam contra guerra no Iraque LOUISE DALY da France Presse, em Chicago
Connie Moss estava feliz. Até um pouco aliviada, quando seu filho adolescente se alistou na Força Aérea americana. "Precisava de um rumo. Perambulava sem direção depois de deixar a escola. Por isso, o apoiei, dando graças a Deus e achando que ia fazer algo. Nunca imaginei que um presidente chegaria para fazer uma guerra desse tipo", afirmou Moss.
Depois de quatro anos, seu filho agora tem 23 anos, está casado, serve como mecânico da Força Aérea americana na operação "Liberdade do Iraque" e está cada vez mais afastado de sua mãe.
Na origem deste rompimento familiar, há um desacordo sobre a guerra no Iraque, liderada pelos Estados Unidos.
O ativismo antibélico de Moss -que inclui cartas aos jornais e manifestações em Washington, Richmond e Virgínia- choca-se com o papel de seu filho. Moss revelou que seu filho lhe criticou por telefone de sua base no Reino Unido um dia antes de partir para o golfo Pérsico.
Depois chegaram os "violentos" comentários de membros da família, as mensagens de que Moss ia "queimar no inferno", as acusações de que era "simpatizante dos terroristas" e a definição de sua nora: "Você é a vergonha da família".
Moss, 44, que não identifica seu filho para não comprometê-lo, prefere ignorar as acusações contra ela. "Estou satisfeita com o que faço. A História contará esta história", disse.
"Fico espantada que as pessoas possam estar tão enganadas", afirmou Moss. "A quem o governo Bush vai atacar depois? A Síria, o Irã, a Coréia do Norte? Acho que a Coréia do Norte, que dizem ter uma bomba muito potente, ele não terá coragem", declarou. De qualquer modo, Moss agradece não ser a "mãe de um marine, a mãe de um soldado ou a mãe de um iraquiano".
Em Chicago, Fran Johns, mãe de um marine, enfrenta um dilema semelhante. Seu filho de 31 anos, Robert Sarra, faz parte da Infantaria terrestre que opera na guerra do Iraque, contra a qual a família Johns protestou e continua protestando.
"Se estivesse pondo em risco sua vida para defender nosso país, se estivesse no Afeganistão ou perseguindo Osama bin Laden [líder da Al Qaeda], eu aceitaria", disse Johns, publicitária de 58 anos.
"Mas não posso aceitar que meu filho esteja arriscando sua vida pelos interesses políticos do presidente Bush, por algum plano de hegemonia americana no Oriente Médio", afirmou. Sarra e Johns chegaram a um acordo sobre seus diferentes pontos de vista em relação à guerra, embora Sarra tenha implorado à sua mãe no telefone que "não envergonhe a corporação dos marines".
"É o presidente a quem quero envergonhar", respondeu.
Na Califórnia, Martha Winnacker foi criada durante a Guerra do Vietnã e levou seu filho a várias manifestações contra as armas nucleares na década de 80.
Participou em vários protestos antibélicos, mas durante estes dias tem uma luz acesa em sua janela e uma fita amarela em uma árvore em sua casa, igual a várias mães que têm seus filhos no Exército.
O filho de Winnacker -a quem não identificou para manter a privacidade- tem 28 anos, é oficial de Infantaria e está em alguma área do Iraque.
Mãe e filho compreendem e aceitam sua divergência sobre o assunto.
"Acho que meu filho entende que, como civil, tenho a tarefa de participar no processo político, de tomar decisões. Mas respeito sua lealdade ao juramento que fez quando se alistou", disse Winnacker.
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