| | | Notícias > | | | Quarta-feira, 09 de abril de 2003 17h06 Países árabes querem que iraquianos escolham seu próprio governo da France Presse, no Cairo
Enquanto as tropas americanas assumiam o controle de Bagdá, os países árabes exigiam hoje que os próprios iraquianos escolham seu governo, opondo-se à vontade de Washington de instalar uma administração provisória.
Primeiro chefe de Estado árabe a reagir à derrubada do governo de Saddam Hussein, o presidente egípcio Hosni Mubarak pediu que o povo iraquiano ''se encarregue do governo e da administração o mais rápido possível''.
''Friso a necessidade de agir o mais rápido possível para que os iraquianos tomem em suas mãos o governo e administração de seu país'', declarou Mubarak, citado pela agência oficial Mena.
''O fato do Iraque ser dirigido por seus filhos o quanto antes é o meio mais rápido de garantir a estabilidade para o povo iraquiano'', acrescentou.
Washington pretende confiar a administração do ''novo'' Iraque, pelo menos numa primeira etapa, ao general americano da reserva Jay Garner.
Ao ser consultado sobre a posição do Egito em relação a um governo transitório deste tipo, o chefe da diplomacia egípcia, Ahmed Maher, respondeu: ''Até agora há um governo iraquiano, não sei onde está, mas existe do ponto de vista legal. Se houver novos acontecimentos, veremos''.
Em Riad, o ministro saudita das Relações Exteriores, Saud al Faysal, também estimou que o povo iraquiano devia formar seu próprio governo e exigiu um fim rápido da ocupação anglo-americana do Iraque.
''O governo de Bagdá com o qual manteremos relações será o escolhido pelo povo iraquiano. Não nos anteciparemos aos acontecimentos, aceitaremos tudo o que o povo iraquiano decidir'', disse o príncipe Saud al Faysal.
''Deve-se abrir o caminho ao povo iraquiano para que escolha os meios com os quais quer administrar seus assuntos, e a ocupação deve terminar o mais rápido possível'', acrescentou o ministro saudita.
O príncipe Saud destacou que o novo governo iraquiano teria que ser reconhecido pelas Nações Unidas, que a seu ver devem estar implicadas no Iraque.
Por sua vez, em Amã, o ministro jordaniano das Relações Exteriores, Marwan Moasher, também declarou que o povo iraquiano tinha que decidir seu futuro e escolher seus dirigentes.
''O povo iraquiano deve decidir o futuro do Iraque e seus dirigentes no estado atual das coisas'', afirmou Moasher. ''Não cabe a 'ninguém' fazê-lo em seu lugar'', acrescentou, frisando a importância de ''preservar a segurança interna do Iraque e não permitir que o país desabe, porque teria graves repercussões''.
Esta posição dos países árabes é compartilhada pelo Irã. ''Pensamos que o futuro governo iraquiano terá que refletir a vontade da população e que as Nações Unidas devem desempenhar um papel'', afirmou o chefe da diplomacia iraniana Kamal Jarazi.
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