| | Sexta-feira, 11 de abril de 2003 11h00 Artigo: Estarão os EUA mais seguros depois da queda de Saddam? PATRICK ANIDJAR da France Presse, em Washington
A campanha militar contra o Iraque foi apresentada como parte da "guerra ao terrorismo" lançada depois dos ataques de 11 de setembro de 2001, mas a segurança interna dos Estados Unidos não parece ter melhorado depois da derrota de Saddam Hussein.
"É um dado desconhecido por enquanto", disse o professor Roy Godson, especialista na luta antiterrorista da Universidade de Georgetown, em Washington. Antes do começo da guerra contra o Iraque, durante o desenrolar dos confrontos, os dirigentes americanos afirmaram claramente que a queda de Bagdá criaria condições para um mundo melhor, menos exposto aos atentados terroristas.
"Neste momento, nossos soldados lutam no Iraque para defender nossa segurança", disse o presidente George W. Bush, em Belfast (Irlanda do Norte), na terça-feira (8). No dia 31 de março, na Pensilvânia, Bush afirmou que "o moribundo regime iraquiano poderia tentar trazer o terrorismo para o nosso lado".
Entretanto, as autoridades americanas decidiram não rebaixar por enquanto o nível de alerta terrorista, que se mantém "muito elevado" (laranja) desde o início da guerra no Iraque. Os americanos podem se perguntar se depois da queda do regime de Saddam Hussein estarão livres da ameaça das armas de destruição em massa que o governo Bush afirmava existirem em território iraquiano ou se passou o perigo de ser alvo de atentados.
"Ainda não", declarou o secretário de Segurança Interna, Tom Ridge, sem dar maiores informações, na quarta-feira (9). Pelo menos não antes de fazer uma nova avaliação das ameaças a que os Estados Unidos estariam expostos, disseram especialistas.
"Existe o perigo de que pessoas no local, no Iraque, comecem a aderir a organizações terroristas, e não apenas à Al Qaeda", afirmou Mark Burgess, do Centro da Informação de Defesa, um instituto de pesquisa em Washington.
Segundo Burgess, os combatentes árabes, centenas de egípcios, sudaneses e sírios, que vieram prestar apoio ao regime iraquiano, podem formar um banco de terroristas.
De acordo com Burgess, seria sensato pensar que Osama bin Laden e outros tentarão explorar esta "mão-de-obra" e "estimular agora ações contra os Estados Unidos".
Para Godson, a curto prazo, "temos grupos que podem ter se preparado e já estão em condições de atuar". O professor afirmou que cidades como Washington, Nova York ou Londres devem ser alvo de uma vigilância especial.
"A médio e longo prazo, podem ocorrer algumas ações ligadas à vontade de vingar o regime de Saddam Hussein", declarou Godson, que destaca que a aparente conquista do Iraque pelos Estados Unidos não contribuirá para acalmar o espírito dos muçulmanos radicais.
Em poucas palavras, a segurança dos Estados Unidos depende, segundo Godson, "do rumo dos acontecimentos políticos no Iraque e da possibilidade de surgimento de uma sociedade plural, que ofereça à população que se sente humilhada uma opção que não seja o terrorismo". Por enquanto, segundo a imprensa americana, vários sites que transmitem mensagens da Al Qaeda divulgam imagens de crianças iraquianas com uma legenda dizendo que foram mortas por bombas americanas.
Segundo o Instituto de Pesquisa de Mídia do Oriente Médio, com sede em Washington, a televisão da Autoridade Nacional Palestina transmitiu recentemente o sermão do xeque Muhammed Abu Al-Hunud convocando os muçulmanos a se vingarem dos Estados Unidos.
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