| | | Notícias > | | | Sexta-feira, 11 de abril de 2003 11h14 Artigo: Quem é o próximo na linha de pontaria dos EUA? STEPHEN COLLINSON da France Presse, em Washington
Os que temem o domínio dos Estados Unidos no mundo como pretensos donos do planeta fazem a si mesmos agora a mesma pergunta: quem será o próximo da lista depois da queda do regime de Saddam Hussein?
Fortalecida nas campanhas no Afeganistão e no Iraque, a nova doutrina do presidente George W. Bush, que quer neutralizar qualquer suposta ameaça antes que se materialize, permite prever outras aventuras militares para os Estados Unidos.
A administração Bush jamais escondeu que a mudança de regime no Iraque não seria o ponto final da "guerra contra o terrorismo", declarada um dia depois dos atentados de 11 de setembro de 2001.
Entretanto, o secretário de Estado, Colin Powell, negou ontem a existência de um novo objetivo na lista negra dos Estados Unidos.
Washington "não tem um plano ou lista de nações para atacar, uma depois da outra", disse Powell à televisão paquistanesa.
Com Saddam Hussein fora do poder, o "eixo do mal" demarcado por Bush se limita agora ao Irã e à Coréia do Norte, embora alguns altos funcionários da Casa Branca pareçam querer acrescentar a Síria à lista.
"Os sírios não se comportam bem, precisam de um puxão de orelhas", declarou ontem o subsecretário de Defesa, Paul Wolfowitz, ante uma comissão do Senado. "Se continuarem assim, teremos de repensar nossa política em relação a um país que abriga terroristas e criminosos de guerra", disse. O subsecretário de Estado, Richard Armitage, parece também querer a ampliação da lista, quando em setembro do ano passado descreveu o Hizbollah (grupo extremista islâmico libanês que recebe apoio sírio e iraniano) como "talvez o grupo número um" do terrorismo mundial. "Estão na lista, sua vez chegará, não há dúvidas", disse.
Antes de avançar contra o Irã ou a Coréia do Norte (o que neste último caso pode ser infinitamente mais difícil do que o Iraque), Washington disse que primeiro quer utilizar suas armas diplomáticas e comerciais para concretizar a esperança de Bush de ver que a queda de Saddam Hussein provocará uma onda de mudanças democráticas no Oriente Médio.
Os esforços de Washington para instaurar um novo governo em Bagdá serão cruciais. A transição para a democracia e para a economia de mercado corre o risco de ser mal vista pelos outros regimes árabes autoritários, atualmente não tão autoritários assim.
E se ficar comprovado que os novos chefes do país são nada mais do que marionetes da Casa Branca ou que as empresas americanas se aproveitam das riquezas petroleiras iraquianas, as esperanças de democracia na região correm o risco de nascer mortas.
"Tudo o que fizermos a partir de agora terá uma repercussão, talvez positivo ou negativo, para os corações e espíritos das pessoas de outros países", declarou Steven Clemons, analista da New America Foundation, um grupo de reflexão de Washington. "É um jogo em que os símbolos terão um importância capital."
Altas autoridades americanas dizem agora que os Estados Unidos têm muito o que fazer no Iraque e no Afeganistão, onde os senhores da guerra têm reaparecido, para lançar outra campanha.
A administração Bush insiste em dizer que os casos do Iraque e da Coréia do Norte são diferentes e prefere optar pela diplomacia com Pyongyang. Algo que os observadores vêem sobretudo como o sinal evidente da incapacidade de Washington de deter a Coréia do Norte.
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