| | | Notícias > | | | Sexta-feira, 11 de abril de 2003 12h35 Saqueadores invadem principal museu iraquiano da Folha Online
O museu de arqueologia de Bagdá, o mais importante do Iraque, e o hotel mais conhecido da capital iraquiana, o Rachid, estavam sendo saqueados hoje, enquanto um dos grandes centros comerciais da cidade, o Mansur, se encontrava em chamas, disseram testemunhas.
Um grupo de aproximadamente dez ladrões invadiu sem ser incomodado algumas salas de exposição do museu e arqueologia de Bagdá, cujos escritórios administrativos foram totalmente saqueados, afirmou um repórter da agência de notícias France Presse.
Havia vários vasos e estátuas quebrados no chão, além de caixas de madeira espalhadas pelo local.
Dois homens saíram do local levando uma porta antiga de uma das salas situadas no térreo do museu. Aparentemente, as salas dos andares superiores não tinham sido saqueadas.
Com 28 galerias, o museu de arqueologia de Bagdá é o maior do Oriente Médio e abriga peças de até 5.000 anos de idade.
Saqueadores derrubaram a grade do hotel Rachid, pegaram móveis, tapetes e TVs e colocaram o material em cerca de 15 carros.
O andar inferior do centro comercial Mansur, perto do rio Tigre, estava em chamas e uma espessa fumaça saía do prédio.
Em frente ao Ministério da Informação, perto do Mansur, um escritório comercial do Estado também pegava fogo.
Sobre a capital iraquiana, altas colunas de fumaça sinalizavam os pontos incendiados por vândalos que iniciaram um verdadeiro saque de Bagdá.
Vários ministérios e edifícios administrativos foram alvo de incêndios, que os bombeiros iraquianos não se davam o trabalho de apagar, ao mesmo tempo em que os soldados americanos não faziam nada para prevenir o caos na capital iraquiana, disseram testemunhas.
Caos
Comerciantes do centro de Bagdá dispararam hoje pela primeira vez contra saqueadores que ameaçavam suas lojas, disse um jornalista da agência de notícias France Presse.
Além disso, homens armados perambulavam pelas ruas de Bagdá. Um repórter da agência Reuters testemunhou um jovem atirando contra um motorista que passava com uma caminhonete no centro de Bagdá, arrastando-o para fora do veículo e tomando a direção para sair com o veículo. Não estava claro se o motorista estava morto ou apenas ferido.
Vinte e cinco pessoas foram internadas em um hospital da capital iraquiana com ferimentos de balas em choques com saqueadores, segundo informaram a uma repórter da France Presse funcionários desse hospital, que não dispõe de meios para operar os feridos.
O hospital Al-Kindi, situado na zona leste de Bagdá, foi saqueado e todo seu pessoal fugiu, constatou a repórter.
Os comerciantes, armados com pistolas, fuzis e barras de ferro, vigiavam suas lojas e enfrentavam os ladrões, muitos deles jovens, crianças e mulheres.
Os comerciantes demonstraram sua indignação diante da passividade do Exército dos Estados Unidos, que segundo eles não apenas é indiferente aos saques como incentiva os ladrões a "roubar e destruir" tudo o que encontram pela frente.
Agências humanitárias internacionais criticaram as tropas anglo-americanas por não reafirmarem sua autoridade durante os saques e disseram que a lei internacional obriga os soldados a evitar o caos.
"O cenário é realmente obscuro. Não há nenhuma segurança nas ruas", disse ontem Veronique Taveau, porta-voz do Escritório da ONU de Coordenação Humanitária no Iraque.
"Há saques generalizados, e todos os prédios oficiais e a maioria dos prédios da ONU foram saqueados. A ajuda humanitária será afetada", disse.
Cruz Vermelha
Segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), um hospital de Bagdá, já operando no limite de sua capacidade, foi saqueado ontem por homens armados que levaram tudo o que havia, inclusive camas e equipamentos.
O CICV fez um "pedido urgente" hoje para que "as forças da coalizão e todas as pessoas com autoridade" no Iraque protejam a infra-estrutura do país do saque e da destruição.
Em um comunicado, o CICV diz estar "profundamente alarmado com o caos que prevalece em Bagdá e em outras regiões do Iraque" e pede a todas as partes que protejam os hospitais e os sistemas de abastecimento de água potável.
"As forças da coalizão devem cumprir responsabilidades concretas nas zonas sob seu controle", afirmou. Entre as responsabilidades, estão "todas as medidas que estejam ao seu alcance para restaurar e manter, da melhor forma possível, a ordem pública e a segurança, pondo fim aos saques e à violência contra os civis e as instalações civis", disse.
Com agências internacionais
Especial Saiba tudo sobre a guerra no Iraque
| | Notícias > | | | |