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Sexta-feira, 11 de abril de 2003 14h46
Médicos andam armados contra saques em hospitais de Bagdá
da France Presse, em Bagdá

Os hospitais de Bagdá enfrentavam hoje uma situação catastrófica e os médicos exibiam armas para dissuadir os saqueadores que tomaram conta da cidade desde a queda de Saddam Hussein e que estão roubando de tudo, incluindo medicamentos, estetoscópios e incubadoras.

"Dos 32 hospitais de Bagdá, somente três funcionam e estão em condições precárias", declarou Pascal Jansen, do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV).

Ao final da primeira inspeção do CICV em muitos dias, Jansen disse que nos hospitais "falta água, eletricidade, médicos e material", e que, nestas condições, não vão resistir por mais de três ou quatro dias.

No Centro Médico Saddam (SHC), o maior da capital iraquiana, apenas 10% do pessoal continua trabalhando. Em suas portas, pessoas com feridas ainda abertas esperam ser atendidas. Além disso, há corpos nas ruas e dentro de um caminhão frigorífico estacionado nas proximidades.

Apenas os pacientes com ferimentos de bala estão sendo atendidos, afirmou um médico do SHC que, em dez dias, não dormiu mais que dez horas.

A situação é caótica e catastrófica, segundo Peter Tarabula, coordenador médico do CICV no hospital Al-Kindi de Bagdá, onde foram recentemente admitidas mais de 25 pessoas feridas durante os saques.

O xeque Abbas Al-Zubaidi, que garante ter sido enviado pelas autoridades religiosas xiitas de Najaf (sul de Bagdá) a fim de evitar os saques, se instalou nesse hospital.

"Desde que chegamos, explicamos às pessoas que é pecado roubar. Agora eles estão devolvendo os medicamentos e os equipamentos que levaram", afirmou.

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