| | | Notícias > | | | Terça-feira, 15 de abril de 2003 11h37 Reino Unido pede explicações à Síria sobre acusações americanas da France Presse, no Qatar
O ministro britânico das Relações Exteriores, Jack Straw, convocou a Síria a dar explicações sobre armas químicas e fugitivos do regime deposto de Saddam Hussein, respondendo às questões formuladas pelos Estados Unidos, hoje durante sua breve visita ao Qatar.
A posição britânica, como expressou Straw, parece menos agressiva do que a retórica americana, que já fala em sanções do tipo "diplomático, econômico e outros", segundo o secretário de Estado dos EUA, Colin Powell.
Referindo-se à Síria, que o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, classificou de "Estado pária", Straw declarou: "Nós usamos outras descrições". "A Síria está tendo a oportunidade de provar que não pertence a esta categoria", afirmou. Straw começou ontem uma visita pela região do golfo Pérsico, que o levou a Bahrein e ao Kuait e que deve terminar na Arábia Saudita. O chanceler britânico reiterou no Qatar seus apelos à Síria para que responda a "perguntas muito importantes, entre elas as que dizem respeito a armas químicas".
O chanceler britânico considerou também "importante" que Damasco "coopere de maneira construtiva conosco e com os Estados Unidos para saber se a Síria acolheu fugitivos do regime de Saddam Hussein".
Para as perguntas formuladas à Síria, os Estados Unidos já têm respostas: acusações de que Damasco fez testes com armas químicas nos "últimos 12 ou 15 meses", segundo o secretário americano de Defesa, Ronald Rumsfeld. O primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, insistiu neste mesmo sentido, afirmando que a Síria acolheu as autoridades do regime deposto iraquiano e que o Iraque transferiu armas para este país antes da intervenção anglo-americana.
Tal como havia feito ontem em Bahrein, Straw negou que a Síria esteja entre os próximos alvos militares dos Estados Unidos. "Não há lista alguma e a Síria não está nela", afirmou.
Straw acredita que a nova configuração regional representa uma oportunidade para a Síria, que foi convidada a aceitar a nova realidade criada pela queda de Saddam Hussein.
Utilizando a mesma idéia de "aceitar a nova realidade", Straw convocou os membros do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) a não "brigar pelo que passou ou pelo que poderia ter acontecido".
A maioria dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança (França, Rússia e China) foi contra a guerra no Iraque, decidida pelos outros dois membros (Estados Unidos e Reino Unido).
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse ontem que está "inquieto diante das declarações recentes em relação à Síria", temendo uma "desestabilização maior em uma região duramente afetada pela guerra no Iraque".
Straw viajará hoje a Atenas, onde participará de uma cúpula sobre a ampliação da União Européia (UE).
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