| | Terça-feira, 15 de abril de 2003 16h39 Bagdá perde o medo e multiplica manifestações anti-EUA da France Presse, em Bagdá
"Abaixo Bush!", "Não à ocupação!", "Americanos, voltem para casa!": muitos cidadãos de Bagdá trocaram as flores e os gritos de apoio aos soldados americanos por protestos motivados pela ausência de resultados da guerra, a falta de eletricidade e os saques na capital.
"Go home!", gritam os quatro ocupantes de um automóvel ao passarem em frente a uma patrulha de soldados americanos na rua Karrada Dakhel, ao meio-dia de hoje.
A reação dos militares não se fez esperar. Os quatro jovens estudantes foram retirados do automóvel à força e lançados ao chão com empurrões: o rosto contra o asfalto e as mãos atadas às costas.
Os insultos dos soldados, que revistaram o automóvel em busca de armas e explosivos, sobem de tom, as pessoas são obrigados a caminhar rapidamente.
"Eu os odeio, juro que vou matá-los ! Qualquer dia colocarei um cinto com explosivos!", grita Nebrás, um dos ocupantes do pequeno automóvel, depois do incidente.
Todos os dias, estes estudantes, cerca de 20, vão protestar "contra a ocupação" em frente ao Hotel Palestina, onde se concentram os Marines americanos.
"Ocuparam nosso país, mataram nosso povo e em troca o que vão nos dar? Nada! O Iraque está acabado", asseguram.
A poucos metros do lugar deste incidente, no Hotel Palestina, as manifestações se multiplicam: professores universitários, médicos, advogados e simples cidadãos vão para as ruas todos os dias para protestar contra a guerra e contra os "planos ocultos" de Bush para o Iraque.
"Não temos medo de que disparem contra nós. O que estamos fazendo é o correto. Este é o nosso país e só Deus nos julgará", diz Yasir, 40, engenheiro, que segura um cartaz com a frase "Sim à liberdade, Sim ao Iraque, não à ocupação".
Aos gritos de "Down, Bush, Down!" (Abaixo Bush), os nervos dos marines, alguns deles jovens de menos de 20 anos, cansados e aterrorizados, se crispam. Em poucos minutos, o hotel é isolado e a entrada é proibida até para os jornalistas que moram no lugar.
O medo de atentados suicidas por parte de um povo que a cada dia tem menos a perder aumenta, afirmam os soldados, que multiplicam as vistorias em automóveis, propriedades e pessoas de qualquer idade e nacionalidade.
"O Hotel Palestina, repleto de marines e da imprensa estrangeira, é o lugar perfeito. Deveriam ter cuidado", afirma Saher, ex-empregado do ministério da Informação.
Os iraquianos mais velhos que chegam ao Hotel Palestina asseguram que nunca viram Bagdá em semelhante "estado miserável" e contemplam com impotência os tanques que impedem sua passagem. A falta de eletricidade e de segurança nas ruas está diminuindo o ânimo e as esperanças de seus cidadãos nesta ofensiva.
"Sunitas e xiitas, estamos unidos, nosso país não está à venda", "Sim ao Islã, não aos terroristas americanos", pediram os manifestantes durante horas.
Enquanto isso, nas ruas de Bagdá, os tanques patrulham cada vez com mais frequência as ruas com soldados a pé escoltados por tanques que cada vez recebem menos gestos de aprovação e sorrisos dos cidadãos.
"Esta é a liberdade que prometeram para o Iraque. Não é maravilhosa?", assegura irônico Ahmad, comerciante de Bagdá, enquanto contempla a procissão de tanques passar.
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