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Sexta-feira, 18 de abril de 2003 17h29
Protesto em Bagdá pede saída de EUA; TV mostra imagens de Saddam
da Folha Online

O maior protesto registrado após a derrubada do regime de Saddam Hussein reuniu dezenas de milhares de iraquianos hoje em Bagdá, que pediam que as forças dos EUA deixem o país.

A manifestação, convocada pelo autodenominado Movimento Unido Nacional Iraquiano que diz representar os xiitas e os sunitas do país, ganhou caráter religioso. Muitos dos presentes carregavam exemplares do Alcorão (livro sagrado do islamismo), esteiras de rezas e faixas, com dizeres como "deixem nosso país, queremos paz" e "não a Bush, não a Saddam, sim ao Islã".

Uma das maiores colunas de protestos saiu da mesquita Abi Hanifah Nouman, cuja cúpula foi bombardeada nos ataques anglo-americanos.

Saddam na TV

O ditador iraquiano apareceu em imagens da TV árabe Abu Dhabi, no que seria sua última aparição pública, supostamente no dia 9 de abril -pouco antes das tropas da coalizão entrarem em Bagdá. Nas imagens, Saddam é saudado por uma multidão nas ruas da capital.

Retransmitidas pela TV americana CNN, as imagens, filmadas de dia, mostram Saddam mais magro, usando uniforme militar, enquanto é aclamado por uma multidão que grita: "Por nossa alma, nosso sangue, nos sacrificaremos por ti, oh, Saddam".

Saddam aparece sorridente no meio de centenas de pessoas, muitas delas carregando armas. Ao lado dele, está um homem que parece ser seu filho mais novo, Qusay. Correspondente da Abu Dhabi, Jaber Obeid disse que a pessoa que entregou o vídeo à emissora afirmou que a fita fora gravada no dia 9 de abril.

Os EUA ainda não deram declarações sobre as imagens e sua veracidade. Diversos discursos de Saddam na TV, veiculados durante a guerra, foram colocados sob suspeita, já que o ditador usa dublês para se proteger. A gravação foi feita à distância e alternava closes em Saddam e imagens da multidão.

Autoridades americanas dizem não saber se Saddam e seus filhos estão mortos ou vivos. Apesar de afirmar que o sucesso da guerra não depende de encontrá-los, a coalizão anglo-americana ainda procura por Saddam dentro do Iraque, principalmente em Bagdá e na sua cidade natal, Tikrit.

Governo democrático

O chefe do movimento de oposição ao regime de Saddam (CNI -Congresso Nacional Iraquiano), Ahmed Chalabi, afirmou que o Iraque terá um governo democrático dentro de dois anos, depois de um período de transição dividido em três etapas.

Segundo ele, a primeira etapa será de restabelecimento dos serviços públicos; a segunda, de instalação de um governo interino composto por iraquianos, que terá como tarefa elaborar uma Constituição; e a última, de organização de eleições democráticas.

Chalabi, apoiado pelo Pentágono, reafirmou que não assumirá nenhum papel durante esse período de transição.

Com agências internacionais

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