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Quarta-feira, 23 de abril de 2003 18h27
EUA podem agir contra França dentro da Otan
da Folha Online

Os Estados Unidos podem buscar a exclusão da França de decisões importantes da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) como consequência da oposição francesa à guerra no Iraque liderada pelos EUA, disse hoje uma autoridade do Departamento de Estado norte-americano.

A autoridade disse, segundo a agência Reuters, que uma forma da França sentir as consequências de sua oposição à guerra seria dentro da Otan, no processo de tomada de decisões.

As decisões da aliança costumam ser tomadas pelo Conselho do Atlântico Norte (NAC, na sigla em inglês), que agrupa todos os 19 membros da aliança. Mas as decisões também podem ser tomadas dentro do Comitê de Planejamento de Defesa (DPC, na sigla em inglês), que exclui a França.

Questão turca

Bélgica, Alemanha e França bloquearam planos da Otan de reforçar as defesas da Turquia antes da guerra, mas Bruxelas e Berlim permitiram que a questão fosse resolvida no DPC.

Indagado sobre quando as consequências à França seria visíveis, a autoridade citou a forma como a questão turca foi tratada na Otan.

Uma fonte do Pentágono que não quis se identificar disse, segundo a Reuters, que o Departamento de Defesa teve conversas vigorosas sobre retaliação contra a França.

"Castigo"

Por outro lado, o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, disse hoje que a França não será "castigada" nem deverá "pagar o preço" de sua oposição à guerra contra o Iraque.

Segundo o porta-voz, as declarações de ontem do secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, foram interpretadas por certos meios de comunicação no sentido de que "A França pagará o preço, a França será castigada".

O secretário do Estado dos EUA, Colin Powell, afirmou ontem à noite que a França sofrerá consequências de sua oposição à intervenção militar, mas não deu detalhes.

"Má interpretação"

"Todos aqueles que escreveram esses artigos [fizeram] uma má interpretação do que disse o secretário [Powell]", disse Fleischer.

"Um jornalista lhe perguntou se haveria consequências e o secretário disse 'sim'", afirmou o porta-voz.

"Podem ver essas consequências todos os dias. As relações entre França e EUA sofreram (...) e agora é necessário enfrentar essas consequências em nível bilateral", acrescentou Fleischer durante entrevista à imprensa.

O porta-voz negou-se a detalhar quais seriam as consequências citadas pelo secretario de Estado, mas concluiu que Washington e Paris "tiveram um grande desacordo sobre um tema da maior importância para o presidente [norte-americano George W. Bush]"

Resposta

A França respondeu hoje às ameaças de represálias de Washington a Paris por sua oposição à guerra no Iraque e disse que seguirá atuando segundo "suas convicções e princípios para defender as leis internacionais".

O ministro francês das Relações Exteriores, Dominique de Villepin, respondeu hoje que "durante a crise iraquiana, a França agiu com o apoio da maioria da comunidade internacional e de acordo com suas convicções e princípios para defender as leis internacionais", declarou.

"'Ela continuará a fazer isso sob quaisquer circunstâncias", afirmou Villepin. As declarações do chanceler francês, que faz uma visita oficial a Ancara (Turquia), foram divulgadas hoje pelo Ministério das Relações Exteriores em Paris.

Durante meses, a França encabeçou na ONU (Organização das Nações Unidas), com a Alemanha e a Rússia, a "frente de oposição" às pressões armamentistas de Washington e ameaçou vetar todos os projetos de resolução que aprovasse a força militar contra o Iraque, por considerar que as inspeções de armas da ONU davam resultados como via pacífica para desarmar Bagdá.

Com agências internacionais

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