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Terça-feira, 29 de abril de 2003 15h00
Xiitas continuam a rejeitar toda autoridade dos EUA no Iraque
ALEXANDRE PEYRILLE
da France Presse, em Basra (Iraque)

Os xiitas rejeitam qualquer autoridade dos Estados Unidos no Iraque, seja civil ou militar, apesar de a Assembléia Suprema da Revolução Islâmica no Iraque (Asrii) ter participado ontem, em Bagdá, de uma reunião da oposição liderada por Washington.

A Asrii, baseada no Irã sob o regime de Saddam Hussein, é o principal grupo político xiita no Iraque, onde esta religião representa 60% da população.

"Os americanos devem sair do Iraque, sua presença não se justifica", disse o chefe da Asrii na região de Basra, o líder religioso Abu Ahmad, que criticou "a ingerência americana" nos assuntos iraquianos. Advertiu que a Assembléia poderia boicotar a próxima reunião dos opositores de Saddam Hussein.

Respeito

Os americanos "devem respeitar o desejo do povo iraquiano", disse o chefe religioso, reiterando que "o futuro político do Iraque deve estar nas mãos dos iraquianos".

Segundo um observador internacional que pediu anonimato, a Asrii queria boicotar a reunião de ontem em Bagdá, presidida pelo administrador americano no Iraque, o general da reserva Jay Garner.

Antes, disse a fonte, ele boicotou a reunião celebrada em Nassiriah (sudeste) no dia 15 de abril. Mas desta vez mudou de idéia, para não se isolar e ficar fora do processo de recomposição política iniciado pelos Estados Unidos, acrescentou.

Antes da invasão norte-americana, a oposição se reuniu em dezembro de 2002 em Londres, e depois no dia 26 de fevereiro em Salaheddin, que está sob controle curdo, onde nomeou uma direção colegial composta por seis membros, que pretendia ser o núcleo de um governo que substituiria o de Hussein.

Convenção nacional

"Os membros do comitê constituído em fevereiro em Salaheddine (norte do Iraque) devem formar um governo de coalizão antes de organizar eleições livres", afirmou o chefe religioso.

Ontem, em Bagdá, os líderes iraquianos, entre os quais figuravam representantes de diferentes grupos políticos do país, membros do Congresso Nacional Iraquiano (CNI), de Ahmed Chalabi, líderes da Asrri e membros dos dois principais partidos curdos do Iraque, anunciaram a realização de uma "convenção nacional" dentro de quatro semanas para nomear o governo transitório.

Na reunião, decidiu-se também que as forças da coalizão eram responsáveis por "manter a segurança". Hoje, o escritório do administrador civil americano anunciou que entre 3.000 e 4.000 soldados chegarão para proteger a cidade. A eles se juntarão os 12 mil homens que ocupam a capital iraquiana desde a queda do regime de Saddam Hussein.

Forças da coalizão

"Não temos necessidade dos americanos e britânicos para garantir a segurança. Por orgulho e dignidade, os iraquianos são opostos a todo acordo nesse sentido", afirmou Abu Ahmad, durante uma conversa com a agência France Presse no bairro da Asrii, em Basra.

Ele disse que "a oposição deve se reunir para coordenar seus esforços e refletir sobre sua ação frente às forças americanas e britânicas".

Enquanto isso, e por mais que a Asrii fale de democracia e liberdade para os iraquianos, no sul do Iraque muitos expressam temores de que se um dia esta chegar ao poder estabelecerá um poder inspirado no regime islâmico xiita do Irã.

A Asrii dispõe de um braço armado, a brigada Badr, que possui entre 10 mil e 15 mil homens, cuja maioria está no Iraque.

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