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Quarta-feira, 30 de abril de 2003 09h54
Rumsfeld visita Bagdá em meio a onda de protestos anti-EUA
da Folha Online

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, fez uma visita surpresa ao Iraque hoje para saudar a derrota do ex-ditador Saddam Hussein, no momento em que a violência ressurgia em um protesto antiamericano perto de Bagdá.

Moradores de Fallujah, a 50 km a oeste da capital iraquiana, disseram que soldados dos EUA mataram a tiros três pessoas durante uma manifestação hoje. Treze pessoas já haviam sido mortas na cidade durante um protesto anti-EUA na noite de segunda-feira (28).

Reuters - 7.fev.2003
Donald Rumsfeld, secretário de Defesa dos EUA
Várias testemunhas afirmaram que militares americanos dispararam quando milhares de pessoas protestavam justamente contra o assassinato de segunda-feira.

"Era uma manifestação pacífica. As autoridades religiosas nos pediram que não levássemos armas. Não houve resposta aos tiros", declarou Safa Rousli, morador de Fallujah.

A testemunha afirmou que os soldados, em veículos blindados, começaram a disparar quando crianças que estavam em meio à multidão atiraram pedras e sapatos contra os militares.

O major norte-americano Michael Marti disse à agência de notícias Reuters que um comboio respondeu ao fogo depois de ter sido atingido por tiros vindos de uma multidão perto de um posto de comando. Ele disse que os soldados contaram dois iraquianos "potencialmente" feridos.

Golpe

A violência em Fallujah foi um golpe à visita de Rumsfeld, que chegou a Bagdá após passar por Basra, no sul do Iraque.

Em Basra, segunda maior cidade do Iraque, Rumsfeld saldou as tropas britânicas que ajudaram as forças dos EUA a derrubar Saddam, no dia 9 de abril.

"Quando se olha para este esforço, acho e rezo para que seja significativo que um grande número de seres humanos, inteligentes e energéticos, tenha sido liberado", disse. "Escaparam da autoridade de um regime realmente perverso", declarou Rumsfeld, autoridade de mais alto escalão a visitar o Iraque desde o início da guerra, no dia 19 de março às 23h35 (horário de Brasília).

Ajuda

Em um discurso ao povo iraquiano gravado em um dos salões de um palácio de Saddam Hussein em Bagdá, Rumsfeld pediu a ajuda da população na procura aos dirigentes do regime de Saddam e aos combatentes estrangeiros e disse que as forças dos EUA tentavam restaurar serviços essenciais.

"Deixe-me ser claro: o Iraque pertence a vocês. Não queremos governá-lo. Nossa coalizão veio aqui com um objetivo -retirar o regime que oprimiu o seu povo e ameaçou o nosso", afirmou Rumsfeld, acrescentando que os EUA permanecerão no país o tempo que for necessário para ajudar os iraquianos a formarem um governo, "nem um dia a mais".

A visita de Rumsfeld não havia sido anunciada e acontece sob forte esquema de segurança. Ele chegou ao Iraque após passagem pela Arábia Saudita, onde anunciou que Washington encerrará suas operações militares no país.

Rumsfeld deverá inspecionar o progresso da reconstrução do Iraque pós-guerra, apesar de algumas cidades ainda não estarem sob controle absoluto dos EUA.

Reforço

Os Estados Unidos anunciaram ontem o envio de mais tropas para melhorar a situação de segurança em Bagdá, enquanto prosseguem seus esforços para conseguir uma reorganização política, na perspectiva de reunir um "congresso nacional" para formar um governo de transição no Iraque.

"Nas próximas duas semanas, mais 3.000 ou 4.000 soldados serão enviados para proteger a cidade", declarou à imprensa o general Glenn Webster, ao lado do administrador civil americano no Iraque, o general da reserva Jay Garner.

Webster disse que as tropas americanas farão patrulhamento na capital, onde ainda são escutados com frequência disparos e onde continuam os saques, três semanas depois da queda de Saddam Hussein.

Com agências internacionais

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