| | Quinta-feira, 01 de maio de 2003 19h25 Marines que combateram no Iraque recebem cidadania americana da Folha Online
Quarenta e três marines (fuzileiros navais dos EUA) do porta-aviões ''Abraham Lincoln'' foram declarados cidadãos americanos hoje em San Diego (Califórnia), na maior cerimônia de naturalização de militares desde o início da guerra no Iraque, informaram fontes militares.
Os marines, procedentes de 16 países -entre eles Colômbia, México, El Salvador, Equador e Cuba-, voaram a San Diego a partir do ''Abraham Lincoln'', que encontra-se no Oceano Pacífico depois de retornar do Iraque.
O presidente George W. Bush também está a bordo do porta-aviões ''Abraham Lincoln'', onde deve anunciar hoje o fim das principais ações militares dos EUA no Iraque.
Oportunidades
''Acho que, já que se está servindo o país, tem que ser um cidadão do país'', disse Roosevelt Ulloa, marine equatoriano de 22 anos.
''Os Estados Unidos me deram muitas oportunidades. Me sinto mais que um cidadão dos EUA, apesar de não ter crescido aqui'', afirmou Ulloa, que desejava ser americano desde que chegou ao país aos 14 anos.
''Mais de quatro dezenas de membros da Marinha que serviram aos EUA no mundo poderão agora, sem temor, chamar este país de 'lar''', declarou Lauren Mack, funcionário do escritório de serviços de imigração e cidadania.
Após a cerimônia, os marines recém naturalizados voltaram ao porta-aviões, que deverá entrar no porto de San Diego amanhã de manhã, antes de dirigir-se a sua base no Estado de Washington (noroeste).
Todo residente legal nos EUA deve viver pelo menos cinco anos no país antes de poder solicitar a nacionalidade americana. Contudo, graças a um decreto firmado em julho por Bush, os estrangeiros alistados nas Forças Armadas podem obter a cidadania com maior rapidez.
Há atualmente 37 mil soldados nas forças americanas que não dispõem do passaporte dos EUA.
Cidadania póstuma
Dois marines de origem hispano-americana mortos em combate no Iraque receberam no dia 2 de abril a cidadania norte-americana a título póstumo.
Foram assinados certificados de cidadania para José Gutierrez, 22, da Guatemala, e a José Angel Garibay, 21, do México, informou o porta-voz do escritório de serviços de imigração e cidadania de Laguna Niguel (Califórnia).
Gutierrez, que vivia em Los Angeles, fez parte do primeiro grupo de soldados mortos em combate no Iraque. Já Garibay, que chegou do México com a família quando era adolescente, vivia em Costa Mesa (perto de San Diego) e foi um dos fuzileiros navais mortos numa emboscada de soldados iraquianos que simularam uma rendição.
Os parentes dos dois soldados hispano-americanos não participaram do ato, que não foi acompanhado de nenhuma cerimônia.
Apesar de a nacionalidade americana não ser necessária para o alistamento no Exército, o estrangeiro que quiser fazê-lo não pode estar vivendo ilegalmente no país.
Com agências internacionais
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