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Terça-feira, 06 de maio de 2003 11h54
Tropas dos EUA dizem que achar armas no Iraque não é prioridade
da France Presse, em Baquba (Iraque)
As tropas americanas consideram que encontrar armas de destruição em massa do antigo regime de Saddam Hussein já não é uma prioridade para elas, enquanto aumenta a pressão sobre Washington para justificar sua guerra no Iraque. A segurança e a proteção das tropas continuam sendo a principal preocupação, afirmam vários oficiais da 4ª Divisão de Infantaria americana no norte do Iraque. Enquanto o Exército se movimenta pelo país, são feitos novos esforços para criar um governo em Bagdá.
"As operações NBC [de busca de armas nucleares, biológicas e químicas] são consideradas mais importantes [que em outras guerras], mas não são a primeira prioridade e se situam atrás da segurança", disse a capitã Bobbie Jackson, responsável pela busca de armas químicas na 2ª Brigada da 4ª Divisão de Infantaria.
"Quando terminarem os focos de resistência, penso que a busca vai se intensificar", afirmou.
"Senhora Antraz"
Os investigadores americanos fizeram grandes avanços ontem com a captura de Huda Salih Mahdi Ammash, uma cientista que supostamente participou no desenvolvimento de armas de destruição em massa.
A também chamada "Senhora Antraz" era a número 53 na lista dos 55 ex-dirigentes iraquianos mais procurados pelos EUA e o cinco de copas no baralho distribuído pelos Estados Unidos. "É uma personalidade de primeiro plano em matéria de genética microbiana", disse uma autoridade do Pentágono.
Os governos britânico e americano repetem que as provas dadas por cientistas capturados serão mais úteis que as inspeções para descobrir a verdade sobre o programa iraquiano de armas de destruição em massa. "Estabelecer uma lista precisa dos programas de Saddam levará tempo", declarou na semana passada o chanceler britânico, Jack Straw.
"Até que possamos interrogar os cientistas e especialistas que trabalharam nestes programas --e a ONU [Organização das Nações Unidas] tem uma lista de cinco mil nomes--, os avanços serão inevitavelmente lentos", disse.
Justificativa
Washington e Londres justificaram a invasão do Iraque com acusações de posse de armas de destruição em massa contra o regime de Saddam Hussein. Mas até agora, não se anunciou oficialmente nenhuma descoberta de armas químicas, bacteriológicas ou nucleares.
O chefe dos inspetores de armas da ONU, Hans Blix, sugeriu o envio ao Iraque dos inspetores para dar credibilidade às descobertas americanas. A Casa Branca recusou a oferta e decidiu enviar uma equipe de mil inspetores encarregados de buscas em todo o país.
Mas enquanto as tropas americanas continuam registrando e analisando os lugares suspeitos, o governo de presidente George W. Bush sofre grande pressão para provar suas acusações a respeito de armas proibidas.
Um grupo de ex-agentes da inteligência fizeram na semana passada um apelo ao presidente para que investigue o fracasso da CIA (agência de inteligência dos EUA) e de outras agências na hora de encontrar armas de destruição em massa no Iraque.
As forças da 4ª Divisão de Infantaria no norte do Iraque registraram vários lugares suspeitos desde sua chegada à região, há duas semanas, mas não encontraram nenhuma arma proibida, afirmou Bobbie Jackson.
Especial Saiba tudo sobre a guerra no Iraque
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