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Quarta-feira, 14 de maio de 2003 11h41
EUA poderão atirar em saqueadores no Iraque, diz jornal
da Folha Online
O novo chefe da administração civil americana no Iraque, Paul Bremer, está preparando uma série de medidas de segurança que incluem a permissão para que soldados atirem contra saqueadores pegos em flagrante, segundo a edição de hoje do jornal "The New York Times".
Bremer, em um encontro com importantes membros de sua equipe ontem, também disse estar ansioso para contratar mais policiais e proibir integrantes do partido Baath,no poder sob o regime de Saddam Hussein, de participarem de certos cargos em futuros governos, afirmou o "New York Times", citando autoridades presentes na reunião.
Desde a queda de Saddam Hussein, as cidades iraquianas têm enfrentado saques e falta de segurança.
"Eles vão começar a atirar contra alguns saqueadores para que a notícia se espalhe", disse uma autoridade que participou do encontro com Bremer, segundo o jornal.
Mudanças
Em Bagdá, o capitão americano John Smathers, da promotoria militar, afirmou que, no momento, não existem mudanças nas regras para a atuação no Iraque.
"Disparamos em caso de ameaça mortal por parte dos saqueadores ou se estes estiverem armados. Não recebi novas ordens", declarou Smathers, segundo a agência de notícias France Presse. "Não desconhecemos o perigo que representam os saqueadores. Asseguramos a região fazendo que a polícia iraquiana retorne ao serviço."
Paul Bremer, diplomata de carreira e nomeado na semana passada pelo presidente dos EUA, George W. Bush, para substituir o general da reserva Jay Garner, chegou na segunda-feira (12) ao Iraque, que continua imerso na anarquia por causa da ausência de um governo. Sua nomeação foi decidida quando aumentavam as críticas contra os Estados Unidos pela lentidão nos esforços para reconstruir o país.
Bremer reuniu-se hoje com o coordenador humanitário da ONU (Organização das Nações Unidas) no Iraque, Ramiro Lopes da Silva.
Elogios
O Pentágono anunciou que Garner, que teria fracassado na missão de se comunicar com os iraquianos, deixará o posto em meados de junho. No entanto, o secretário de Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, não poupou elogios ao general reformado, considerando injustas as críticas.
Segundo Rumsfeld, Garner realizou um "trabalho soberbo" no Iraque, depois da queda do regime de Saddam Hussein.
Desde então, já transcorreu mais de um mês e Bagdá continua padecendo com os bandos armados que aterrorizam a população. Há muitas casas que carecem de eletricidade e água corrente.
O esgoto e o lixo tomaram conta das ruas. Não há serviço telefônico e os hospitais estão longe de atender às pessoas.
Além disso, os iraquianos que procuram por familiares e amigos dados como desaparecidos sob o regime de Saddam Hussein descobrem todos os dias novas valas comuns.
Ontem, centenas de iraquianos, em sua maioria chorando, assistiram na Província de Babilônia à exumação dos corpos de uma vala comum, a mais importante descoberta até agora.
"Disseram que 2.600 corpos já foram exumados, mas que podem haver outros 10 mil", declarou o capitão de marines David Romley, em Mahawil, 90 km ao sul de Bagdá.
Com agências internacionais
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