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Sábado, 10 de agosto de 2002 08h07
PT quer ajuda de Armínio Fraga em governo de Lula
FÁBIO ZANINI
da Folha de S.Paulo

Integrantes do alto escalão da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva defendem a colaboração do presidente do Banco Central, Armínio Fraga, em um eventual governo do PT, no mínimo como um consultor informal.

Petistas com voz ativa na campanha consultados pela Folha vêem o presidente do BC como peça importante para o período de transição e para a fase subsequente à hipotética posse de Lula.

Há quem sugira até a criação de uma espécie de "conselho" para assessorar o governo, do qual Armínio poderia constar. Não há ainda posicionamento formal do partido quanto a isso, entretanto.

Já a manutenção de Armínio no cargo pelo PT é definida por um líder partidário como "difícil".

O presidente do BC, cuja indicação, em 1999, foi recebida com críticas ácidas por lideranças petistas, hoje é respeitado dentro do núcleo moderado do partido.

É tido, inclusive por Lula, como técnico competente, que se preocupa mais com a economia do que com posicionamentos partidários. Acima de tudo, é considerado bom negociador, mantendo relação estreita com um dos porta-vozes econômicos do PT, Aloizio Mercadante (SP).

Tais características destoam radicalmente, segundo o PT, da personalidade de figuras como o ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o ex-presidente do BC Gustavo Franco, vistos como arrogantes e com tendência a politizar demais suas ações.

Segundo a Folha apurou junto ao alto escalão petista, existe pontualmente no partido o desejo de que Armínio permaneça à frente do BC pelo menos no início do governo Lula, para emprestar credibilidade ao governo e sinalizar ao mercado que mudanças de rota bruscas não serão feitas.

Simbolismo
As mesmas lideranças que admiram Armínio se dizem conscientes, contudo, de que mantê-lo no BC seria simbolicamente negativo para um partido que faz campanha com o discurso de mudança na política econômica.
Teme-se inclusive comparação com o ex-presidente argentino Fernando de la Rúa, que se elegeu prometendo reformas e acabou trazendo para o governo um dos artífices do modelo então vigente, o ministro Domingo Cavallo.

As chances de o PT manter o presidente do BC no cargo são pequenas, mas não podem ser descartadas totalmente, porque o assunto ainda não foi discutido formalmente pelo partido. "Manter ou não Armínio, bem como definir o grau de autonomia do BC, são temas que rondam a campanha em conversas informais, mas ainda ninguém as colocou na mesa", disse um líder petista.

Lula e o presidente do PT, José Dirceu, afirmam internamente no partido que o presidente do BC será trocado, porque acham Armínio muito identificado com a atual política econômica. Mas eles têm sinalizado que seu auxílio, mesmo informal, num eventual governo seria positivo.

Múltiplas frentes
O PT enxerga em Armínio qualidades que o colocariam em condição de atuar em várias frentes. Além de ajudar no dia-a-dia da operação do BC no início do governo, poderia atuar como uma espécie de embaixador econômico informal do Brasil, por ter vasta rede de contatos com a diretoria de organismos multilaterais -FMI, BID e Banco Mundial- e de bancos estrangeiros.

Dificilmente o PT o colocaria em um cargo formal num governo Lula, do tipo negociador junto ao FMI. Esta é vista como uma função exclusiva do governo.

O PT ainda não tirou posição oficial sobre Armínio nem o sondou, até porque o partido de Lula não sabe quais serão os planos do presidente do BC após deixar o governo. Ele já sinalizou publicamente que está disposto a colaborar com o futuro presidente.

O que o PT já tem claro é que quer continuar contando com quadros do atual governo, de segundo e terceiro escalões. Funcionários graduados de instituições como Itamaraty e Banco Central -mesmo alguns diretores de perfil técnico- deverão ser mantidos, o que seria uma forma de dar tranquilidade à transição. Uma renovação total na administração está descartada.

Outra idéia para acalmar o mercado que já foi aventada, a de antecipar nomes da equipe econômica ainda durante a campanha presidencial, tem chance remota de vingar.

Veja também o especial Eleições 2002

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