| | Quarta-feira, 17 de dezembro de 2003 10h46 Congelador pode contribuir para doença intestinal, diz estudo da Agência Lusa A utilização generalizada do congelador nas sociedades ocidentais poderá ter contribuído para o aumento dos casos de uma doença intestinal, a doença de Crohn, indica estudo de médicos franceses publicado na revista médica britânica "The Lancet".
O eletrodoméstico contribuiria com a doença ao criar um ambiente favorável para bactérias capazes de se desenvolver a baixas temperaturas, como a Yersinia e a Listeria, que foram detectadas em lesões intestinais dos pacientes.
Segundo a hipótese de Jean Hugot, médico do Hospital Robert Debré, de Paris, a doença é resultado "de uma reação imunológica excessiva a uma infecção por bactérias capazes de prosperar nos congeladores", em temperaturas entre -1°C e -10°C.
A doença de Crohn, descrita pela primeira vez em 1913, é frequente na Europa e na América do Norte, e a sua incidência aumentou na segunda metade do século XX. Trata-se de uma inflamação crônica do aparelho digestivo, de causa indeterminada, embora pareça implicar fatores como o tabagismo, além de predisposição genética.
Ela evolui com intervalos de melhoras e se manifesta através de dores abdominais, diarréia, perda de peso, cansaço e febre, podendo também afetar as articulações. O tratamento limita-se a suprimir ou a aliviar os sintomas.
As primeiras máquinas de refrigeração foram fabricadas por volta de 1875, mas o primeiro congelador doméstico só apareceu em 1918 nos Estados Unidos, e em 1937 já era usado por 49% da população. Ainda um luxo na Europa nos anos 1930, este eletrodoméstico só começou a ser mais difundido depois da Segunda Guerra Mundial.
Mesmo em 1958, quando mais de metade dos lares suecos tinham congelador --graças à Electrolux--, isso só acontecia em 10% dos lares franceses, 12% dos ingleses e 2% dos lares na Espanha, Japão e Rússia.
Paralelamente, a frequência da doença de Crohn começou a aumentar por volta dos anos 40 nos Estados Unidos, nos anos 50 na Suécia, nos anos 60 no Reino Unido e mais tardiamente no sul da Europa.
Estes exemplos mostram coincidências geográficas e temporais entre a difusão do congelador e a eclosão da doença, sustentando uma teoria que, segundo os autores do estudo, merece confirmação.
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