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Quarta-feira, 12 de maio de 2004 06h48
Estudo faz "células" crescerem de sais
MARCUS VINICIUS MARINHO
da Folha de S.Paulo

O que era para ser um experimento simples, do tipo que poderia ser reproduzido na escola, pode acabar em pistas sobre a formação da vida. Ao misturarem simples sais que são encontrados em qualquer laboratório de colégio, cientistas europeus conseguiram desenvolver uma membrana que guarda diversas semelhanças com os organismos vivos.

Os químicos Jerzy Maselko, pesquisador polonês da Universidade do Alaska em Anchorage, EUA, e Peter Strizhak, do Instituto de Físico-Química de Kiev, na Ucrânia, imergiram uma pílula de cloreto de cálcio em uma solução de carbonato de sódio. Depois de cerca de uma hora, viram que uma membrana semipermeável e transparente, de cerca de 1 cm de diâmetro, crescia da pílula, e formava uma espécie de "criatura" --não viva, obviamente-- com a estrutura similar à de um fungo.

O que deixou os cientistas boquiabertos, no entanto, foi o fato de que a membrana permitia que uma reação química que acontecesse dentro dela se mantivesse longe do equilíbrio termodinâmico. A maior parte das misturas químicas rapidamente chega em um ponto de equilíbrio, onde a formação de produtos ocorre na mesma velocidade de decomposição --a quantidade de produtos e reagentes uma hora chega ao ponto em que fica constante.

No caso do experimento dos cientistas, a "célula" limitada pela membrana funciona como um reator químico onde as substâncias entram, reagem e saem, assim como um sistema biológico, que separa a célula das coisas existentes no seu entorno e não deixa o equilíbrio acontecer.

"A falta desse equilíbrio é uma condição necessária para a origem da vida. O fato de que nós conseguimos fazer isso em um sistema inorgânico tão simples como esse sugere que talvez a vida seja possível de produzir", diz Maselko, 59, à Folha.

A "célula" do pesquisador ainda pratica uma espécie de reprodução, produzindo pequenos "filhos" que podem se separar da célula "mãe" ou formar uma cadeia de membranas interconectadas.

De fato, Maselko diz que seu próximo passo consiste em produzir "seres" inorgânicos multicelulares. "Isso pode elucidar uma das maneiras pelas quais a vida se organizou no começo de tudo", diz o pesquisador.

Para ilustrar melhor as possibilidades da membrana, os cientistas fizeram um experimento onde mantiveram dois meios diferentes com a divisão da membrana. Ao colocarem no sistema uma mistura de cloreto de cobre, amido, água oxigenada e iodeto de sódio, os cientistas puderam ver que do lado de dentro da "célula" íons de cobre resultantes da interação dos reagentes davam uma coloração verde ao meio, enquanto iodo era expulso e, com amido, resultava em uma cor arroxeada.

A pesquisa foi publicada em abril na revista "Journal of Physical Chemistry B" (pubs.acs.org/journals/jpcbfk/).

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