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Sábado, 11 de setembro de 2004 03h19
Grupo nos EUA faz camundongo mutante desenvolver dois corações
FERNANDA CALGARO
free-lance para a Folha de S.Paulo

Embriões de camundongo modificados geneticamente desenvolveram dois corações. Os animais mutantes foram resultado de uma pesquisa desenvolvida por uma equipe da Universidade da Pensilvânia (EUA), e publicada na revista científica "Science".

No estudo, o gene Foxp4, que regula a ativação de outros genes no camundongo, foi modificado e inserido em células embrionárias.

As duas regiões de um embrião normal que seriam destinadas a produzir o coração --que, durante o desenvolvimento, se fundem para formar o órgão com quatro cavidades--, foram separadas. Em ambos os lados, ocorreu o desenvolvimento independente de um coração, o que fez os cientistas concluírem que a união dessas duas partes do embrião não é necessária, como se imaginava.

Os dois corações do embrião mutante aparentavam ser órgãos completos, com válvulas e quatro cavidades (átrios e ventrículos).

"Os estudos indicam que as células primordiais do coração em embriões estão geneticamente programadas desde um estágio muito anterior ao que se pensava. E o conhecimento do desenvolvimento inicial do coração poderá levar a uma melhor compreensão de outros eventos que causam doenças congênitas em humanos", explicou Edward Morrisey, co-autor do estudo.

O próximo passo da pesquisa será identificar os genes que são regulados pelo Foxp4, que não se ativa em todas as células cardíacas. O objetivo agora será determinar que tipo de célula, excluindo-se o Foxp4, leva à formação de dois corações.

Especial
  • Leia o que já foi publicado sobre genes modificados


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