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Terça-feira, 04 de março de 2003 13h30
Maracatu rural colore as ruas de Pernambuco

FÁBIO GUIBU
da Agência Folha

Um "êxodo rural" festivo e aguardado levou ontem para os centros urbanos um dos mais vibrantes e coloridos eventos do Carnaval pernambucano, o desfile dos maracatus rurais.

Por um dia, os cerca de 5.000 lavradores que trocaram o campo pela cidade brilharam como as principais estrelas da folia nas cidades de Olinda e Nazaré da Mata, dois dos principais pólos de apresentação das agremiações.

Surgido no final do século 19, na Zona da Mata, o maracatu rural ainda mantém suas raízes, baseadas no misticismo e na fusão de folguedos populares, como o pastoril e o caboclinho.

Em Nazaré da Mata eles se reuniram para realizar, como é sua característica, um espetáculo basicamente visual. O ritmo frenético das pequenas orquestras, formadas por no máximo dez pessoas, não induz os foliões a dançarem atrás dos grupos, como acontece com os blocos de frevo.

Em compensação, suas apresentações são uma das atrações mais bonitas do Carnaval pernambucano. Os caboclos-de-lança simbolizam essa estética, com suas perucas gigantes coloridas, rostos pintados com urucum, mantas bordadas com lantejoulas e lanças de madeira decoradas.

Carregando um cravo na boca, eles correm em círculos, girando com suas fantasias de até 30 quilos como se estivessem protegendo a corte real, que permanece sempre no centro do bloco.

Em Olinda, esse ritual foi repetido durante todo o dia no espaço cultural Lumiara Zumbi, criado pelo escritor Ariano Suassuna no período em que comandou a Secretaria Estadual da Cultura.

Um a um, os 87 grupos que se apresentaram no local homenagearam o líder de todos, mestre Salustiano, 56. Só após o aval de Salustiano, em um galpão construído na Casa da Rabeca, os maracatus desciam a ladeira de terra que os levava ao espaço cultural.

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